Vencer através da Resiliência - por Arianne D´Aquino

Confesso que não me lembro de quando eu tive minha primeira experiência que me colocou frente a frente ao medo de desistir. Mas me recordo exatamente quando foi a primeira vez que eu tive que encarar isso que fez mudar minha percepção das coisas dali para frente.


Com grande histórico esportivo em toda minha vida, quando me mudei para São Paulo para fazer faculdade, entrei para o time de handebol e de futsal, ambos jogando como goleira. O handebol foi o que eu mais achei que poderia encontrar pessoas parecidas comigo, então decidi que investiria mais tempo nele. Logo nos primeiros treinos a frustração: eu não sabia jogar e não estava conseguindo aprender de forma rápida o que era ensinado. No meu terceiro jogo, desabei. Estava indo tudo bem, até que levei aqueles famosos gols chamados de frangos. Entramos para o intervalo do jogo e a melhor do time me questiona na frente de todas as meninas: você é um cone para tomar um gol desses?


Depois daquele jogo refleti muito se deveria continuar indo aos treinos. Mas foi naquele dia que eu pensei “eu tenho quatro anos para me tornar a melhor atleta desse time”. No fundo eu queria provar para aquela pessoa que eu podia ser quem ela achava que eu não era, mas também, eu mais do que ninguém, queria ter certeza de que o que ela disse não era verdade.


A partir daquele dia eu treinei muito. Passei a estudar sobre como os goleiros de handebol treinavam, passei a ter um treinador só para mim, fiz dieta, me dediquei como nunca havia feito e comecei a me destacar. Pela primeira vez estava vendo meu nome no principal site de esporte universitário de São Paulo, como destaque de uma partida. Naquele momento eu acreditei que não faltava muito para a minha meta: ganhar o prêmio de melhor atleta do ano.


Pouco menos de três anos depois daquele acontecimento, ganhei minha medalha mais importante ate então. Sabia que havia sido uma das protagonistas do título e isso dava um gosto a mais para o nosso, até então, titulo inédito na competição. Eis que chega o final do ano e as premiações dos atletas. Minha perna tremia, meu coração acelerava. Eu pensava que não seria a escolhida, afinal, goleiros nunca são lembrados; mas meu coração tinha certeza de que aquele troféu iria para a estante. Um grande amigo sobe no palco, faz um discurso de me fazer chorar e meu nome é anunciado: fui escolhida atleta destaque naquele ano.


Não precisou chegar nesse momento para eu ter certeza de que eu podia e iria conseguir tudo o que quisesse, não importasse a dificuldade e os obstáculos que estavam à frente.


A grande vantagem disso tudo é que se refletiu no ambiente profissional também. Sabe aquele momento em que você deita a cabeça no travesseiro e pensa em se demitir? Nessas horas o que mais pesa é sua resiliência emocional e o quanto aquilo que você esta fazendo irá refletir no seu grande objetivo. Pessoas te falando que você não consegue ou que não é capaz de alcançar seus sonhos não vão parar de cruzar os caminhos, mas o que conta no fim, é o quanto você consegue encarar tudo isso e provar para si mesmo o que você sempre soube, que era capaz.


Arianne D'Aquino

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