Empreendedorismo - por Bruna Gomes Mascarenhas

Assim como para muitas mulheres, a vontade de empreender ficou mais forte quando me tornei mãe e quis ter um pouco mais de controle sobre a minha rotina e meus horários para conciliar trabalho e os cuidados com o meu filho. No entanto, a vontade de trabalhar por conta própria não veio só daí.


Passei treze anos trabalhando nas áreas de comunicação e gestão de marca de grandes empresas, nove deles em cargos de liderança, como coordenadora ou gerente. Sempre adorei o trabalho em si e tudo que envolvia gestão de equipes, mas a cada degrau que subia, ficava mais distante da parte do trabalho que mais me agradava: pesquisa, reflexão, análise. Ficava com a sensação de que contratava terceiros – consultorias, agências – para fazer toda a parte do trabalho que eu mais tinha paixão e aptidão para realizar. Esse incômodo ficou comigo durante alguns anos, ainda meio imaturo, mas sempre me cutucando. No meio do caminho passei 6 meses trabalhando numa consultoria excelente de branding e percebi que esse incômodo fazia todo o sentido, pois ali senti que fazia um tipo de trabalho mais próximo do que queria para o longo prazo.


Quando meu filho nasceu, eu tinha um cargo de liderança numa empresa de grande porte. Os horários eram bem puxados e havia alguma demanda por viagens um pouco imprevisíveis. Voltei da licença-maternidade e, durante 5 meses, tentei conciliar as coisas. A parte de conciliar horários foi mais tranquila do que eu esperava – acho que a maternidade me ajudou a ser mais firme para impor limites. Ainda assim, continuava com aquela sensação de que tudo que era mais conectado com os meus reais talentos e vontades profissionais seguia sendo feito fora da empresa, enquanto dentro dela cada vez mais processos, sistemas, planilhas e reuniões de alinhamento tomavam meu tempo. E não era só na empresa em que estava trabalhando – tinha sido muito parecido nas anteriores. Conversei sobre isso com vários colegas. Alguns dividiam a minha angústia; outros entendiam, mas adoravam estar “no jogo” da empresas que, realmente, pode ser bem empolgante e compensador, a depender do seu perfil.

Percebi que era hora de tentar algo novo. Tinha me programado financeiramente para fazer uma transição mais lenta no começo e, durante o primeiro ano trabalhando por conta, peguei projetos mais simples, de produção de conteúdo. Quando meu filho entrou na escola por meio período, senti mais segurança para pegar projetos maiores e o primeiro deles surgiu por meio de uma ex-fornecedora, que precisava de apoio na parte de diagnóstico num projeto grande de marca empregadora. Foi a primeira vez em muito tempo em que atingi aquele real estado de “flow” no trabalho, não via o tempo passar. Mesmo com prazos apertados e um volume grande de entregas, tudo deu certo e vi que dava para alçar voos mais altos.


Desde então, a Smart Comms vem crescendo de forma tranquila e alinhada com o que acredito e com as minhas prioridades. No começo tive uma sócia, que trouxe um grande cliente que atendemos por mais de um ano. Foi uma grande experiência. Hoje estou solo na empresa, com alguns consultores associados – há muita gente disposta a trabalhar em rede e tem funcionado bem assim. Há várias dificuldades nesse jornada – clientes com prazos de pagamento muito longos, que dificultam a programação financeira de quem é pequeno; apertos entre agendas profissionais e pessoais; minha falta de conhecimento na parte administrativa do negócio. Há também a transição da “segurança” de salário e benefícios, que sempre tive o privilégio de ter, para uma vida mais imprevisível em termos de renda, o que exige bastante disciplina. Mesmo assim, acho que valeu muito a pena fazer essa transição e acredito que ela aconteceu na hora certa. A experiência de todos esses anos em empresas foi primordial para conseguir me estabelecer com a Smart Comms e acho que fiz a mudança pelo motivo mais consistente possível – a clareza sobre o que eu realmente gosto e sou boa em fazer.


Bruna Gomes Mascarenhas

Atuou por 13 anos nas áreas de Comunicação & Marca em empresas como Johnson&Johnson, Unilever, Touch Branding, Holcim e Votorantim Cimentos. É professora do curso de Employer Branding da Faculdade Cásper Líbero, que já formou mais de 200 alunos em 8 turmas, e atua como consultora em projetos de comunicação, employer branding e gestão da mudança na Smart Comms, empresa que fundou em 2016.

Graduada em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero, cursou MBA pela FGV, fez especialização em Employer Branding pela Universum e é mestranda em Psicologia Organizacional pela University of London, Birkbeck.

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