De jovem perdido para o rosto de um dos maiores programas de estágios do Brasil por Vinicius Mattos



Meu nome é Vinicius Mattos, nascido no Capão Redondo - e com orgulho, tenho 23 anos e sou o filho mais novo de três irmãos. Sou filho de dois migrantes do interior da Bahia, analfabetos que decidiram tentar a vida em São Paulo há 33 anos atrás e que me enchem de orgulho todos os dias.


Nasci com a diferença de 10 e 13 anos das minhas irmãs, ou seja, fui literalmente o bebê da família. Vi meus pais construindo a casa que moro durantes anos, antes disso, eles e minhas irmãs chegaram a dormir em um “barraco” na favela, deitados sobre um papelão e era tudo que eles tinham.


Eles sempre lutaram para que eu e minhas irmãs tivéssemos uma educação digna e que cada um pudesse conquistar suas próprias coisas.


Minha jornada no mercado de trabalho começou quando tinha 15 anos, fui assistente em um curso de gastronomia em uma ONG chamada Casa do Zezinho, ONG essa que comecei como estudante e fui chamado para trabalhar ao lado do chefe que aplicava o curso, e foi uma das melhores experiências que poderia ter.


O tempo passou e resolvi seguir por um caminho que todos os meus amigos da escola optavam, por trabalhar em Buffets infantis na região próxima da escola onde estudava, e a minha paixão de trabalhar com pessoas surgiu a partir daí. Eu sou extremamente grato por cada festa que fiz, mesmo que ganhando muito pouco, elas me ajudaram a desenvolver inúmeros skills.


Quando fiz 18 anos, resolvi sair da equipe do Buffet e consegui um emprego em uma startup de inteligência de mercado, onde fiquei por quase dois anos, aprendi a ter amor por tudo que eu fazia, além de me desafiar todos os dias para me entregar sempre o meu melhor. Apesar de achar incrível, achava que poderia dar um próximo passo na minha carreira, e então, decidi sair.


Durante os primeiros meses, o buffet que trabalhei quando mais jovem, me convidou para fazer parte da equipe fixa e ter um trabalho SLT, naquele momento achei que seria uma ótima oportunidade, depois de meses trabalhando de domingo a domingo algo começou a me incomodar, eu amava a loucura de trabalhar com eventos mas em algum momento isso começou a me fazer mal, por isso optei por deixá-los.


Depois de um tempo, resolvi tentar o programa de aprendizagem de algumas empresas, fiz diversas entrevistas mas acabei não avançando depois da segunda fase de algumas delas. Foi quando a empresa em que contratava estes aprendizes me ligou dizendo que tinha uma vaga que era a minha cara, já estava prestes a dizer que não tinha interesse mas a atendente me disse que a vaga seria para trabalhar na Unilever Brasil, responsável por 40 grandes marcas e presente em quase 160 países. Mesmo com um salário menor do que eu estava acostumado a ganhar, encarei este processo seletivo de aprendiz como uma oportunidade que por algum motivo Deus estava me dando, e foi assim que eu cheguei na Avenida Juscelino Kubitschek com a Faria Lima- local onde era a Sede da Unilever, na cara e na coragem, tive a oportunidade de ser eu mesmo durante entrevista com três mulheres incríveis e que futuramente vieram a me ensinar muito (Luana, Fernanda e Michele, se vocês lerem isso, obrigado por tudo <3). Um dia depois da entrevista, recebi uma ligação dizendo que havia sido selecionado para a vaga.


E foi assim que surgiu a minha jornada na Unilever, a área de sustentabilidade e comunicação interna me acolheu como um filho, éramos em 6 pessoas e ouso dizer que éramos quase uma família. Durante todo o ano de 2018, me desenvolvi cada vez mais como profissional, aprendi de fato toda a complexidade do mundo corporativo, ouvi siglas que era incapaz de decifrar, mas que com o tempo corri atrás para saber seus reais significados.


Foi um ano que sem dúvidas comecei a cobrar muito mais de mim mesmo, comecei a aprender inglês, entrei na faculdade de Publicidade que sempre foi o meu sonho e em algum momento comecei a ter interesse em coisas que nunca imaginei que teria, sustentabilidade por exemplo.


No final de 2018, fui convidado a prestar o processo interno de estágio da empresa, cosia que eu não imaginei que poderia ser uma opção.


Grandes empresas nunca foram uma opção para um jovem do Capão Redondo, pode parecer que não, mas eu nunca me vi em uma empresa como a que eu trabalho.


Foi assim que eu recebi que notícia de que tinha sido aprovado no processo seletivo do programa de estágio e poderia falar para quem quiser que este espaço também é meu!

Em 2019, iniciei como estagiário e no decorrer deste tempo, fui convidado para ser uma das caras do programa de estágio da empresa, um dos mais concorrido entre jovens da mesma idade.


Eu tenho orgulho de tudo que venho construindo e muito mais orgulho em saber que trabalho em uma empresa que vem me ajudando a me desenvolver para dar um próximo passo. Estes espaços são de qualquer pessoa que tenha vontade e dedicação de ocupar, é sobre isso que todo este texto se trata.

Muito obrigado,


Vinicius Mattos

Estagiário de Comunicação

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